Catarina Montenegro
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Formações 2025 e o cansaço de nunca achar suficiente


Tenho vindo a partilhar, aos poucos, quem sou nos textos que escrevo. Ainda são poucos, é verdade, mas suficientes para deixar escapar o essencial: aquilo que me nutre e me mantém viva. A arte, a leitura, a escrita, o desenho, a luz pensada e projetada nos espaços, a fotografia, a dança, os espetáculos, os museus. Tudo o que me absorve, provoca admiração, cria dúvidas, desconcerto, perguntas e sensações. Em resumo, tudo o que me fascina.

Quem vive assim raramente se sacia de conhecimento. Ler mais um livro. Fazer mais um curso. Aprender só porque sim — ou porque não consigo evitar, ou porque ainda não me sinto suficiente. Não sei bem qual é a razão. Pode ser uma, podem ser todas. Ao longo da vida perdi a conta às formações. Com o digital, onde aprender é possível a qualquer hora e em qualquer lugar, tornou-se ainda mais fácil cair no excesso. E também aqui é preciso consciência: saber parar, saber escolher (estou nessa dificil  aprendizagem, gestão do tempo e prioridades).

Em 2025 concluí a Pós-graduação em Lighting Design, validada como tal pelo Ministério da Educação brasileiro, um programa desenvolvido por Juliana Pascoalini em parceria com uma faculdade no Brasil. Foi um aprofundamento sólido, exigente e alinhado com o percurso que venho a construir.

Ao longo do ano frequentei também cursos na plataforma Domestika, como Design Industrial: Domesticando a Luz, de Antoni Arola, e Mundos Imaginários: desenho, pintura e digitalização no Photoshop, de Francisco Fonseca. Concluí ainda, pela Code for All, a formação em Introdução à Criação de Conteúdos e Comunidades Digitais — uma resposta prática à necessidade de estruturar melhor a partilha do meu trabalho e pensamento. Fiz também a formação profissional IA na Prática — Negócios, Ética e Futuro, pela Data Colab.

Por fim, realizei a formação em Suporte Básico de Vida e DAE e a formação profissional em terapia Breathwork nível I, entre outras mas não quero cansar, muito menos vangloriar-me com certificados, não é de todo esse o meu objetivo ou proposito.

Toda a minha vida tem sido feita de estudo, mas sobretudo de consciência. Em 2026 sinto necessidade de me obrigar a parar de absorver para começar a usufruir. Não falo de entregar algo aos outros, nem de criar mais um projeto. Falo de usar o meu tempo para viver, para ter mais espaço de lazer — mesmo que, por vezes, esse lazer se possa confundir com trabalho.

Sinto que as formações nos chegam muitas vezes fantasiadas de necessidade. E neste momento a minha maior necessidade é deixar de ser apenas esponja e permitir que o líquido também saia. Este texto era sobre as formações que fiz, talvez para construir uma relação de confiança, mas ao escrevê-lo percebi outra coisa: fiz demais, exigi demais de mim. Parece que nunca consegui largar a escola e começar a manifestar aquilo que sei, como se nunca fosse suficiente.

Estou cansada disso.

Este texto acabou por se transformar numa carta afunilada de intenções para 2026 — quase o oposto do que imaginei inicialmente. Mais presença. Menos foco excessivo. Mais diversão. Mais ação. Fazer o que sinto, simplesmente para viver a vida. Acredito que isso me pode tornar mais leve e, por isso, assumo aqui, neste meu espaço, este compromisso comigo mesma para 2026.

Mais alguém por aí a sentir-se assim? Falem comigo. Podemos conversar e apoiar-nos nos nossos caminhos.

©CatarinaMontenegro, 2026