Lunário
Al Berto
Este livro é poético, invulgar na forma como se torna melodia.
Não é sobre o conteúdo, é sobre a maneira misteriosa e única com que o autor escreve.
⭐ LUNÁRIO — Reflexão
“Lunário” foi o livro que, aos 14 anos, me fez perceber que afinal gostava de ler.
Não pela história em si, mas pela forma como as palavras chegavam até mim — nuas, cruas, intensas, como só o Al Berto sabe entregar.
Recebi-o de uma grande amiga, e guardo-o até hoje na primeira fila da estante.
Não apenas como livro, mas como o marco: o momento exato em que me tornei leitora.
Percebi ali que nem tudo o que lemos é para nós — e que isso faz parte.
Há livros que passam, e há livros que ficam.
Há os que nos desafiam, os que nos transformam, os que nos puxam para dentro de nós mesmos, e os que simplesmente iluminam um caminho que não sabíamos ler.
A leitura, desde então, tem sido mais do que uma companhia.
Tem sido uma ferramenta de vida.
A mão que me segurou em momentos difíceis, a frase que me acordou quando eu precisava, o capítulo que me devolveu clareza, ou o parágrafo que me ajudou a respirar fundo quando tudo parecia maior do que eu.
Sou profundamente grata à minha amiga Constança, que há 27 anos me ofereceu este livro.
Foi um presente simples, mas transformador — porque abriu uma porta que nunca mais se fechou.
E, no fundo, mudou tudo: o meu presente, o meu futuro, e a forma como me relaciono com o mundo.
📌 Passagens que me marcaram
Página 161
“Mas hoje, ainda longe daquele grito, sento-me na fímbria do mar. Medito no meu regresso. Possuo para sempre tudo o que perdi. E uma abelha pousa no azul do lírio, e no cardo que sobreviveu à geada. Penso em ti. Bebo, fumo, mantenho-me atento, absorto - aqui sentado, junto à janela fechada. Ouço-te ci-ciar amo-te pela primeira vez, e na ténue luminosidade
que se recolhe ao horizonte acaba o corpo. Recolho o mel, guardo a alegria, e digo-te baixinho: Apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge.”
⭐ O que este livro significa para mim
“Lunário” não é só um livro da minha adolescência — é uma fundação.
Foi a primeira vez que senti que as palavras podiam tocar um lugar dentro de mim que eu não sabia nomear.
Um lugar que vive entre a sensibilidade e a sobrevivência.
Este livro ensinou-me algo essencial:
que a leitura pode ser casa, pode ser espelho e pode ser fuga — tudo ao mesmo tempo.
Percebi que a força de um texto não está apenas no enredo, mas na forma como nos atravessa.
Como nos devolve pedaços nossos que nem sabíamos que estavam perdidos.
Como nos empresta linguagem quando as emoções ainda não têm nome.
“Lunário” inaugurou o meu olhar de leitora, mas também o meu olhar para o mundo.
Mostrou-me que existem autores que escrevem com a alma toda, sem medo de ser verdadeiros, sem medo da sombra ou da luz.
E essa coragem ficou comigo.
É um livro que continua a viver dentro de mim porque me lembra sempre de voltar a mim mesma — com honestidade, com profundidade, com vulnerabilidade.
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©CatarinaMontenegro, 2026